Passa uma pessoa mais de um mês em contagem decrescente, a criar expectativas bastante altas e, vai-se a ver, são deitadas por terra em poucos minutos... Passo a explicar: bilhete comprado para a 2.ª fila, com a antecedência de quem não quer mesmo perder por nada o concerto de dia 31 de Maio no São Jorge; chego a horas (que isto hoje em dia é imprevisível se consigo ou não cumprir um horário...) e depois o homem entra em palco após uma introdução de duas músicas do senhor aqui da esquerda (aka Dosh) e que, quanto a mim, conseguiu salvar a noite. O som estava mau, foi melhorando ao longo do concerto mas nunca chegou a estar bom. Esperava qua a postura fosse bastante diferente e tive a sensação de débito durante todo o concerto, com a confirmação de apenas 1 encore apesar da insistência do público (o que me cheira sempre a uma falta de vontade que torna falsas todas as palavras proferidas apenas por obrigação e falsa simpatia: "naos adouramous Lisboua!"). Na verdade, não posso dizer que tenha sido mau, ele é um excelente executante e técnico, um virtuoso, mas faltou-lhe aquele toque que torna alguns concertos inesquecíveis. Deixo sempre impressionar-me pelos samples e loopings, mas nem esses foram bem executados e, se por vezes o erro até pode ter uma certa piada, neste caso soou a desleixo puro e duro. Já o Sr. Dosh impressionou bastante com o seu ar impenetrável e compenetrado, mudando das baquetas para o teclado, comandando praticamente todas as operações electrónicas que se iam transformando em música. Tendo eu que seleccionar muito bem o que posso ou não ver hoje em dia talvez tenha tido uma visão pouco tolerante sobre o espectáculo, mas a verdade é que me soube a pouco. Conseguiu voar, mas baixo.
Ps.: abonam a favor as meias às riscas iguais a umas que há aqui em casa e que, por coincidência, foram também usadas nesse dia!
Em conversa, de madrugada, ansiosamente à espera que o telemóvel tocasse com notícias do hospital, disse: "depois do primeiro assombro, logo o corpo fica farto", citando o Sérgio Godinho na minha balada homónima. Há verdades universais e esta é sem dúvida uma delas, mas o problema é quando se farta sem qualquer assombro e sem aviso prévio e, de repente, percebemos que tudo o que tomamos como certo pode desaparecer em poucos segundos. À velocidade de um desmaio. Em qualquer altura. Em câmara lenta.
When all is put in it's right shelf of importance, when all is forgiven and forgotten, everything seems clearer and true happiness turns out to be closer than we thought. And the truth is that we're really short on time, so let's cut all the crap and start cleaning up. It's about time, don't you think?
Há uns tempos atrás deixei de comprar uma determinada marca de iogurtes que teve a ideia peregrina de incluir nas tampas aderentes umas pequenas frases (que tinham o condão de me irritar de tão estúpidas que eram) com a intenção de elevar o estado de espírito de quem se preparava para os comer. "Olá doçura!", "És o meu doce!", "Derreto-me quando penso em ti!", e eu a pensar: mas quem é o idiota que achou que ISTO teria alguma piada? Por força das circunstâncias vi-me obrigada a voltar a comprá-los e a frase de um deles ficou a ecoar na minha cabeça (apesar de tão óbvia) e serviu para me fazer pensar que o autor da primeira leva de frases deve estar neste momento no desemprego...
I've returned over and over again to this song. The ice cracking just like a scar is a good portrait of the circumstances that are surrounding me lately while i'm still living in my little bubble that i hope will never burst. Oh, how i wish i knew how to ice skate!
When there's nothing left to burn, you've got to set yourself on fire.
Penso que devo ter adormecido por algum tempo; Pois quando acordei tinhas vindo e partido. Apenas algumas flores permaneciam – Flores que não podiam sequer dizer quem eram... E uma fragrância vaga e suave no ar.
Esta noite tenho de sonhar um sonho mais longo Para que as flores falem E a sua fragrância estenda uma trémula ponte Entre nós.
É verdade, afinal é mesmo verdade. Mesmo quando achamos que todas as luzes se apagaram para nós, lá do fundo, de onde não se espera nada (porque nada há a esperar de quem não nos conhece), surgem os gestos mais significativos desde há muito tempo. E, apesar de tão simples, fazem equacionar a importância que damos às pessoas que nos cercam e que, contrariamente, não se esforçam nada por saber de nós ou tornar-nos a vida mais leve. E sim, eu sei que isto parece aquele blá blá blá dos livros de auto-ajuda mas a verdade é que descobri muito recentemente que os estranhos podem mesmo ser perfeitos, se calhar por isso mesmo, por serem estranhos. Não nos conhecem as falhas mas estão dispostos a gostar de nós mesmo assim e a dar sem receber em troca. A bondade pela bondade. E isso é bonito e é por isso que escrevo. Obrigada S. (na terra das minhas flores favoritas!) e J. (da minha máquina fotográfica engasgada até hoje!)
Dizem que são de Barcelona, mas é mentira. São 29 amigos suecos (a quantidade de boa música que vem daquele país faz-me pensar que deve ser um sítio bom para se viver...), que já não são adolescentes mas que se comportam como tal (e que bom que é poder fazer isso!) e que transformam tudo numa grande festa. Não há receita melhor para quem se sente triste e deprimido e a posologia recomendada é de pelo menos 3 músicas 3x ao dia.
No matter you're 22, 32 or 82, the end of love is always a terrible thing. And even though time heals everything (and it really does), the suffering always seems too much to handle and the scar will remain forever.
1 ano. Passou num instante e assusta pensar que vais crescer assim tão depressa, que os anos se vão atropelar uns aos outros a esta velocidade. É que já és muito grande, apesar de ainda tão pequenina.
Gal Costa, Divino Maravilhoso
ps.: zé miguel, se já chegaste (ou se ainda estás a chegar) ouve também!
Responsável por um dos (inesperadamente) melhores concertos de sempre, lança o segundo disco a 23 de Abril.A avaliar por esta amostra e pelas outras que já ouvi, a coisa promete.
Entretanto, há muito tempo que não gostava tanto de um disco como gosto do Neon Bible dos Arcade Fire. E continuo a achar impressionante a forma como conseguem filtrar todas as influências (este disco transpira Bruce Springsteen e Pixies, entre outros) de forma a que o resultado final seja uma coisa absolutamente nova e arrebatadora e que a amálgama consiga superar todos os clichés e lugares-comuns.
O que não nos mata dá um frio no estômago, descontrola a respiração, corta o raciocínio, faz tremer as pernas e o chão por debaixo dos nossos pés, preocupa-nos, desfaz-nos em pequenos bocadinhos e, no fim, torna-nos mais fortes.