6.12.07

5 is the magic number

Em resposta tardia ao António, aqui vai uma lista de cinco filmes de que me lembro e que me marcaram de alguma forma. Quando se faz uma lista destas é difícil deixar de fora outros que também são/foram importantes.
Algumas escolhas poderão parecer estranhas e outras óbvias (não teriam sido bem estas se tivesse encontrado o raio dos trailers...)!
Então, sem ordem de preferência:

Wong Kar-Wai, In The Mood For Love

Sofia Coppola, Lost in Translation

Jacques Tati, Playtime


Paul Thomas Anderson, Magnolia


Jean Pierre Jeunet, Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain

5.12.07

O que eu sei e tu não...



... e que, curiosamente, tu aplicas e eu não sou capaz:
a competência não se define pelo coração.*

*Gonçalo M. Tavares,
Aprender a Rezar na Era da Técnica

3.12.07

To shoe or not to shoe



Por motivos alheios à minha vontade (raios partam a conjugação Inverno+Creche) tenho passado, nas últimas semanas (se calhar meses), alguns dias em casa.
Até agora desconhecia a paralisia cerebral provocada pela programação televisiva diurna (não é que a nocturna seja melhor...) mas, na semana passada, descobri um programa que me deixou em estado catatónico!
"As tardes da Júlia", é assim que se chama, é uma verdadeira aberração (que não entendo como tem tempo de antena) do princípio ao fim (quer dizer, na verdade não vi até ao fim, aquele excerto chegou-me!):
a Júlia Pinheiro, no seu inimitável estilo galináceo, falava do facto de todas as mulheres perderem a cabeça com sapatos e convidou uma série de "pseudo-figuras públicas" femininas (e foleiras) para mostrarem as suas pequenas colecções.
Ora eu, burra e com o discernimento meio toldado pela falta de sono, resolvi ficar a ver como é que aquele assunto podia preencher um programa.
(Não me enquadrasse eu na dita classe feminina que não resiste aos ditos...)
Ao fim de uns minutos o meu queixo descaía à velocidade das barbaridades que saíam daquelas cabecinhas tontas, à medida que mostravam as suas sapatolas, que ainda por cima eram feias. Mas mesmo muito feias!
Todos os exemplares eram altíssimos (e, lá está, feios) e os comentários deste calibre:
"... sinto-me mais segura..."
"... tem que se sofrer, vale a pena!..."
E a galinácea anfitriã com a baba a cair-lhe, a virar os sapatos e a espreitar para dentro deles e a exclamar que eram originais! e que deviam ter sido caríssimos!
E uma a dizer que depois os oferecia à mãe (como se estivesse a falar da empregada), uma vez que muitas vezes só os calçava uma vez (hã?).
E outra a gabar-se de ter modelos exclusivos porque vai a imensos eventos (ai, como eu adoro esta palavra!) e que no Inverno guarda a colecção de Verão em casa do pai, o que é uma chatice, porque quando viaja para um país tropical, lá tem que ir a casa do pai buscar aquilo de que precisa...
Ó que vidas complicadas e duras! Que pobreza, que... até me faltam os adjectivos!
Fiquei perplexa, a medir o meu amor pelos meus, a pensar se também seria assim...
Ufa! Não sou! E vivam as sapatilhas, os sapatos rasos, o conforto e a substância!
Desconhecia até que era possível desfiar tanto disparate fútil junto acerca de sapatos e do que pode impelir uma pessoa a comprá-los/usá-los/dá-los.
Mas é mesmo assim, vivendo e aprendendo, e eu aprendi que é melhor não ligar a televisão à tarde, sob pena de piorar um dia que, à partida, já não se adivinha fácil por tudo o que implica...
Desculpem lá o desabafo, mas estava mesmo a precisar.


Ps.: volta Radar, estás perdoada!

27.11.07

Never ending story



When the days are long, and the thunder with the storm
can always get me crying

You can make my bed, i'll fall into it, shattered but not lonely
Because i never knew a home, until i found your hands
When i'm weathered
, you come to me, you're my best friend

And that's why we'll always make it

(Stars, My Favourite Book)

22.11.07

home.sick



or how happy she feels when i put her on rosa's sling and we dance the virus away.

21.11.07

ifeist



Just to break the routine of handkerchiefs, hospitals and antibiotics:
i absolutely love the original video and i find this pastiche hilarious!
You can watch the real commercial here.

13.11.07

Rufus, the king


© Rufus Wainwright

Há precisamente uma semana, fui ver o concerto que durou perto de 3 horas e que me impressionou de tal forma que não consegui escrever sobre ele até hoje.
Talvez porque precisasse também de digerir a percepção que tive acerca do que move as pessoas. Porque o que move as pessoas é estranho.
É estranho que quem paga para ir vê-lo não faça mais nada durante todo o concerto senão suspirar, demonstrando a sua completa frustração pelo facto de as preferências sexuais do rapaz serem tão explícitas. Acho que gostavam que houvesse margem para dúvidas, mas não há. Ele próprio se encarrega de dizer: "i'm such a little princess!", deitando por terra qualquer esperança vã.

E eu penso, mas o que é que isso interessa?
A verdade é que, neste caso, tudo gira à volta disso. Todo o espectáculo.
Mas o que estranhei não foi isso, afinal já era o terceiro concerto dele a que assistia (sim, fui a todos!), mas sim o facto de não conseguir perceber como agrada até a quem não percebe nada, a quem não percebe a música.
E a música é magnífica. E eu fico ali sentada a apreciar a evolução brutal, o sentido de palco, a forma espantosa como vestiu músicas antigas com arranjos e interpretações que as tornaram ainda melhores, e a voz. Aquela voz que me fez render ali à evidência de que tudo o que canta ao vivo soa muito melhor do que nos discos. São as peças do puzzle a encaixar-se, uma a uma.
E, no final, volto para casa a pensar que da próxima vez não vou ficar à espera de um convite de última hora para ir ouvir canções que passam a fazer muito mais sentido quando presenciadas ao vivo, tornando-se verdades universais qualquer que seja o seu destinatário.

10.11.07

Dear Santa #1



I'm tired of having to be me, myself & i and everything else
and
this is all i want for christmas.
Looking forward for your answer,
Yours R.

16.10.07

Over the rainbow


© Radiohead

Se não gostasse tanto deles, passava a gostar só por isto: provaram que o que importa é fazer a música chegar a quem gosta dela, mesmo que isso implique oferecê-la.
Para ouvir e ouvir e voltar a ouvir, porque (e sim, é mesmo verdade) a música pode mesmo salvar-nos.

Ps.: Especialmente indicado para alturas em que as descargas de adrenalina ultrapassem em larga escala as probabilidades de sobrevivência (em estado mentalmente são) às mesmas.

11.10.07

19m [9:25am]



Crescendo foi ganhando espaço
Pulou do meu braço
Nasceu outro dia e já quer ir pro chão
Já fala mãe, já fala pai
Já não suja na cama
Não quer mais chupeta
Já come feijão
E posso até ver os meus traços nos primeiros passos
Tropeça e seguro e não deixo cair
Se cai, levanta, continua
A porta da rua fechada
Criança não deixo sair
Da linha, da linha

Reflexo no espelho leva à emoção
A lágrima ameaça do olho cair
Semente fecundou
Já começa a existir

É cria, criatura e criador
Cuida de quem me cuidou
Pega na minha mão e guia

Maria Rita, Cria

10.10.07

Weekly



It's time for you to know:
That's how often i fall and have to get on my feet again
And i know that you'll keep failing on me
until i say what you want to hear

But that's the only thing i will never do

9.10.07

33



My hair is turning white and i'm starting to like it.

8.10.07

Perfect strangers #1



Lemos que estava a expandir-se o universo e

imaginámos perplexos a quantidade

de espaço novo a dispor entre todos quando

bem contados nem somos muitos. Ela disse

com certeza calhar-nos-á algum e que era

um luxo quase imoral como tomar banho

de banheira cheia nestes meses de seca

prosseguirmos os dois à beira da fusão.


Numa carta electrónica de resposta à

minha o articulista garantiu que nada

se expande eternamente e no prazo de algumas

gerações estelares há-de o universo

encolher outra vez e que por isso o espaço

que nos aparta é só uma questão de tempo.


António Gregório, American Scientist

30.9.07

Reflection #1



Há palavras que não dizemos

e que pomos sem dizê-las nas coisas.


E as coisas guardam-nas,
e um dia respondem-nos com elas
e salvam-nos o mundo,

como um amor secreto

em cujos dois extremos
há uma só entrada.

Não haverá uma palavra
dessas que não dizemos

que tenhamos colocado

sem querer no nada?


Roberto Juarroz,
Poesia Vertical

23.9.07

Xisto


PJ Harvey, When Under Ether


PJ Harvey, Grow, Grow, Grow


O facto de fazermos anos no mesmo dia é, por si só, um factor abonatório para a rapariga... mas, favoritismos idiotas aparte, o novo disco é tão bom que até me consigo abstrair do chiar do giz branco na ardósia.
E o Outono começa mesmo bem assim.

18.9.07

Should we get on?


©Kate Nash

Eu sei que isto me vai passar e que devo estar com febre para gostar desta menina (que é assim uma espécie de Lily Allen, mas a quem falta comer ainda mais pão com sal) e da sua música lá lá lá.
S
e calhar preciso mesmo de tratamento urgente:
esta tem andado a rodar em repeat por estes lados...
Alguém consegue aconselhar-me acerca deste assunto?

16.9.07

Dúvida persistente




À 3.ª vez começo a questionar-me: porque é que os pássaros teimam em vir morrer à minha porta?