E sim, é verdade, ela vem: dia 11 de Junho, à Aula Magna em Lisboa. Provavelmente um dos últimos concertos a que irei durante muito tempo e que me vai lixar uma série de planos, mas sei que vale a pena.
Ps.: E para quem não sabe (eu própria só descobri há uns meses), o The Reminder não é o segundo disco, mas sim o terceiro. O primeiro chama-se Monarch e o segundo Let it die.
Esta é provavelmente uma das poucas bandas que me leva às lágrimas...
Eels, I'm going to stop pretending that i didn't break your heart
... tão rapidamente como à euforia desmedida.
Eels, Trouble with dreams
Com eles aprendi uma regra que já há muito aplicava no cinema e nos discos: nunca sair de um concerto antes de ter a certeza ABSOLUTA de que já acabou, ficar/ouvir/ver até ao fim do fim. Foi graças a isso que não perdi (eu e a meia dúzia de gatos pingados que restava na sala) o baterista Butch (e sim, ainda estou convencida de que aquilo foi uma aposta) a voltar ao palco e a tocar sozinho uma fabulosa/inusitada versão disto:
Kylie Minogue, I just can't get you out of my head
Tipo soco no estômago, tomem e digam lá (se tiverem coragem) que não é possível tornar uma música quase insuportável numa coisa menos má! E depois o regresso, com John Parish incluído para mais um encore.
Todos os anos fico feliz/aliviada/entusiasmada quando chega este dia e ainda em maré de ditados populares, um de entre os muitos que a minha avó costumava dizer: – "a 20 de Janeiro uma hora por inteiro, e quem bem souber contar uma e meia lhe há-de achar!" E vivam os dias maiores e os (re)encontros luminosos que fazem com que tudo pareça/seja mais fácil.
De pequenino se torce o pepino. Se bem que deteste o ditado, entendo que é verdade na sua essência: já ouve música desde que vivia no meu T0 e agora, enquanto finge escolher a mobília, dança ao som do que estiver a tocar na aparelhagem.
Não foi planeado, mas no meu sub-consciente deve haver qualquer coisa que me impele para isto. A minha mãe vestia-nos às 3 de igual, às vezes. Olhando para as fotos antigas, acho sempre graça à forma como conseguia uniformizar as nossas roupas e as dela. Podia ser apenas o tecido mas, muitas vezes, até os modelos eram iguais, feitos por medida na costureira. Dois em miniatura e um grande. Eu era a mais pequena. Hoje ela, tão pequenina, reparou na semelhança, olhei para nós e achei que merecíamos uma fotografia.
Ouvi-a pela primeira vez com o primeiro single e não me detive a tentar descobrir o resto até que, por insistência de um amigo, resolvi dar uma segunda oportunidade à rapariga. Esta não é a minha música favorita, mas acho piada ao vídeo. É a prova (mais uma vez) de que, na Suécia, o frio e a neve aumentam a capacidade criativa musical.
Infelizmente estou em casa. Felizmente poupei uma ida ao correio (que teria que ser feita em tempo extra que não tenho) e pude receber em mãos a encomenda que fiz após não ter tido sorte no leilão aqui. É quente, confortável e prático (para além de lindo) para quem tem pescoços friorentos e compridos. Por isso obrigada eu, Alice!
Why would you speak to me that way Especially when i always said that i haven't got the words for you All your diction dripping with disdain Through the pain i always tell the truth
Lista banal de 22 coisas imprescindíveis (a maior parte tu já sabes fazer!): 1. Tirar fotografias (para nunca nos esquecermos das coisas/pessoas boas) 2. Dançar (com ou sem companhia) 3. Molhar bolachas no leite do pequeno almoço (ou do lanche, ou da ceia) 4. Dar abraços (recebê-los também é bom) 5. Ouvir música e cantar bem alto (para ter banda-sonora) 6. Correr (de preferência na direcção de alguém que está à nossa espera) 6. Cheirar (porque, às vezes, ver não chega) 7. Nadar (no mar ou na piscina, com ou sem mergulhos) 8. Rir (do que vale a pena e do que não vale) 9. Dar passeios (a pé, de carro, combóio ou avião) 10. Fazer bolas de neve (e bonecos) 11. Comer pão com manteiga (e com doce, e com queijo) 12. Ver o céu, as estrelas e a lua (olhar para cima pelo menos uma vez por dia) 13. Dar beijos (repenicados ou nem por isso) 14. Escrever cartas (ou mails, ou sms) 15. Falar baixo (à medida que o volume sobe a razão vai-se perdendo) 16. Desenhar (ou riscar, rabiscar e pintar) 17. Apanhar sol (chuva e ar – às vezes) 18. Comer gelado (derretido é melhor) 19. Tocar xilofone (ou pandeireta, ou outro instrumento qualquer) 20. Beber água (e fazer ahhh!) 21. Ler livros (e fazê-los também) 22. Dizer sempre a verdade (as pernas das mentiras não chegam muito/nada longe)
Although i don't really like this band i've been listening to this music in a regular basis. This video makes me want to take a lot of self-portraits. And maybe i will.
Até podia fazer uma lista de todas as coisas boas que 2007 trouxe e uma também das más. Mas não tenho tempo agora. Na verdade, todos os anos trazem um pouco de ambas as coisas e, no último dia do ano, há sempre a tentação dos balanços e das resoluções. 2008 vai ser – e isto não foi a Maya que disse, fui eu que resolvi – um ano de grandes mudanças. Por isso, hoje à noite, vou comer as minhas 12 passas muito devagarinho para que não me esqueça de nenhum dos meus desejos que (mais coisa, menos coisa), tenho a certeza, irão realizar-se. Porque as boas decisões acabam sempre por dar os seus frutos.
Para os dias em que a vitamina C devia abundar em vez de faltar. (ou as maravilhas que uma máquina de escrever e um xilofone – aka Nuno Rafael – podem fazer a uma música).
There are two things I will carry in my pockets at the end Oh, my darling, You are one of them The way you look when you have a story to begin, Oh, my darling, That's the other half
And I will never lose them, No i'll never never show them like a prize I will keep them out of sight And I will never give them up to any ceiling Promise or a lie, They are mine until I die, until I die Basia Bulat, Oh My Darling
Como estou com preguiça e li aqui uma crítica muito aproximada do que me pareceu a experiência (apenas com a diferença do ângulo – estava no andar de cima a espetar a máquina e a desejar que a pandeireta entrasse a tempo, coisa que não correu assim lá muito bem...) Deixo aqui 2 fotos que suponho estejam – e passo a citar – encantadoramente más! Podem ver fotos decentes aqui.
Em resposta tardia ao António, aqui vai uma lista de cinco filmes de que me lembro e que me marcaram de alguma forma. Quando se faz uma lista destas é difícil deixar de fora outros que também são/foram importantes. Algumas escolhas poderão parecer estranhas e outras óbvias (não teriam sido bem estas se tivesse encontrado o raio dos trailers...)! Então, sem ordem de preferência:
Wong Kar-Wai, In The Mood For Love
Sofia Coppola, Lost in Translation
Jacques Tati, Playtime
Paul Thomas Anderson, Magnolia
Jean Pierre Jeunet, Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain
... e que, curiosamente, tu aplicas e eu não sou capaz: a competência não se define pelo coração.* *Gonçalo M. Tavares, Aprender a Rezar na Era da Técnica
Por motivos alheios à minha vontade (raios partam a conjugação Inverno+Creche) tenho passado, nas últimas semanas (se calhar meses), alguns dias em casa. Até agora desconhecia a paralisia cerebral provocada pela programação televisiva diurna (não é que a nocturna seja melhor...) mas, na semana passada, descobri um programa que me deixou em estado catatónico! "As tardes da Júlia", é assim que se chama, é uma verdadeira aberração (que não entendo como tem tempo de antena) do princípio ao fim (quer dizer, na verdade não vi até ao fim, aquele excerto chegou-me!): a Júlia Pinheiro, no seu inimitável estilo galináceo, falava do facto de todas as mulheres perderem a cabeça com sapatos e convidou uma série de "pseudo-figuras públicas" femininas (e foleiras) para mostrarem as suas pequenas colecções. Ora eu, burra e com o discernimento meio toldado pela falta de sono, resolvi ficar a ver como é que aquele assunto podia preencher um programa. (Não me enquadrasse eu na dita classe feminina que não resiste aos ditos...) Ao fim de uns minutos o meu queixo descaía à velocidade das barbaridades que saíam daquelas cabecinhas tontas, à medida que mostravam as suas sapatolas, que ainda por cima eram feias. Mas mesmo muito feias! Todos os exemplares eram altíssimos (e, lá está, feios) e os comentários deste calibre: "... sinto-me mais segura..." "... tem que se sofrer, vale a pena!..." E a galinácea anfitriã com a baba a cair-lhe, a virar os sapatos e a espreitar para dentro deles e a exclamar que eram originais! e que deviam ter sido caríssimos! E uma a dizer que depois os oferecia à mãe (como se estivesse a falar da empregada), uma vez que muitas vezes só os calçava uma vez (hã?). E outra a gabar-se de ter modelos exclusivos porque vai a imensos eventos (ai, como eu adoro esta palavra!) e que no Inverno guarda a colecção de Verão em casa do pai, o que é uma chatice, porque quando viaja para um país tropical, lá tem que ir a casa do pai buscar aquilo de que precisa... Ó que vidas complicadas e duras! Que pobreza, que... até me faltam os adjectivos! Fiquei perplexa, a medir o meu amor pelos meus, a pensar se também seria assim... Ufa! Não sou! E vivam as sapatilhas, os sapatos rasos, o conforto e a substância! Desconhecia até que era possível desfiar tanto disparate fútil junto acerca de sapatos e do que pode impelir uma pessoa a comprá-los/usá-los/dá-los. Mas é mesmo assim, vivendo e aprendendo, e eu aprendi que é melhor não ligar a televisão à tarde, sob pena de piorar um dia que, à partida, já não se adivinha fácil por tudo o que implica... Desculpem lá o desabafo, mas estava mesmo a precisar. Ps.: volta Radar, estás perdoada!
When the days are long, and the thunder with the storm can always get me crying You can make my bed, i'll fall into it, shattered but not lonely Because i never knew a home, until i found your hands When i'm weathered, you come to me, you're my best friend
Just to break the routine of handkerchiefs, hospitals and antibiotics: i absolutely love the original video and i find this pastiche hilarious! You can watch the real commercial here.
Há precisamente uma semana, fui ver o concerto que durou perto de 3 horas e que me impressionou de tal forma que não consegui escrever sobre ele até hoje. Talvez porque precisasse também de digerir a percepção que tive acerca do que move as pessoas. Porque o que move as pessoas é estranho. É estranho que quem paga para ir vê-lo não faça mais nada durante todo o concerto senão suspirar, demonstrando a sua completa frustração pelo facto de as preferências sexuais do rapaz serem tão explícitas. Acho que gostavam que houvesse margem para dúvidas, mas não há. Ele próprio se encarrega de dizer: "i'm such a little princess!", deitando por terra qualquer esperança vã. E eu penso, mas o que é que isso interessa? A verdade é que, neste caso, tudo gira à volta disso. Todo o espectáculo. Mas o que estranhei não foi isso, afinal já era o terceiro concerto dele a que assistia (sim, fui a todos!), mas sim o facto de não conseguir perceber como agrada até a quem não percebe nada, a quem não percebe a música. E a música é magnífica. E eu fico ali sentada a apreciar a evolução brutal, o sentido de palco, a forma espantosa como vestiu músicas antigas com arranjos e interpretações que as tornaram ainda melhores, e a voz. Aquela voz que me fez render ali à evidência de que tudo o que canta ao vivo soa muito melhor do que nos discos. São as peças do puzzle a encaixar-se, uma a uma. E, no final, volto para casa a pensar que da próxima vez não vou ficar à espera de um convite de última hora para ir ouvir canções que passam a fazer muito mais sentido quando presenciadas ao vivo, tornando-se verdades universais qualquer que seja o seu destinatário.
Se não gostasse tanto deles, passava a gostar só por isto: provaram que o que importa é fazer a música chegar a quem gosta dela, mesmo que isso implique oferecê-la. Para ouvir e ouvir e voltar a ouvir, porque (e sim, é mesmo verdade) a música pode mesmo salvar-nos.
Ps.: Especialmente indicado para alturas em que as descargas de adrenalina ultrapassem em larga escala as probabilidades de sobrevivência (em estado mentalmente são) às mesmas.
Crescendo foi ganhando espaço Pulou do meu braço Nasceu outro dia e já quer ir pro chão Já fala mãe, já fala pai Já não suja na cama Não quer mais chupeta Já come feijão E posso até ver os meus traços nos primeiros passos Tropeça e seguro e não deixo cair Se cai, levanta, continua A porta da rua fechada Criança não deixo sair Da linha, da linha
Reflexo no espelho leva à emoção A lágrima ameaça do olho cair Semente fecundou Já começa a existir
É cria, criatura e criador Cuida de quem me cuidou Pega na minha mão e guia
It's time for you to know: That's how often i fall and have to get on my feet again And i know that you'll keep failing on me until i say what you want to hear But that's the only thing i will never do
Lemos que estava a expandir-se o universo e imaginámos perplexos a quantidade de espaço novo a dispor entre todos quando bem contados nem somos muitos. Ela disse com certeza calhar-nos-á algum e que era um luxo quase imoral como tomar banho de banheira cheia nestes meses de seca prosseguirmos os dois à beira da fusão.
Numa carta electrónica de resposta à minha o articulista garantiu que nada se expande eternamente e no prazo de algumas gerações estelares há-de o universo encolher outra vez e que por isso o espaço que nos aparta é só uma questão de tempo.
O facto de fazermos anos no mesmo dia é, por si só, um factor abonatório para a rapariga... mas, favoritismos idiotas aparte, o novo disco é tão bom que até me consigo abstrair do chiar do giz branco na ardósia. E o Outono começa mesmo bem assim.
Eu sei que isto me vai passar e que devo estar com febre para gostar desta menina (que é assim uma espécie de Lily Allen, mas a quem falta comer ainda mais pão com sal) e da sua música lá lá lá. Se calhar preciso mesmo de tratamento urgente: esta tem andado a rodar em repeat por estes lados... Alguém consegue aconselhar-me acerca deste assunto?
Going back to work always feels like going back to the dungeon. It's just like having a rope around the neck, slave of all the hours spent sitting down looking at my computer screen, burning my eyelashes and my sanity, trying to reach the end of the day with some spare energy to what really matters. I need a new plan, this one sucks!
NOTA: Este blog vai recarregar baterias para outra freguesia (com uma nova máquina fotográfica na bagagem, o que é sempre um bom augúrio) e volta em setembro. Não se esqueçam de voltar também!
(...) Alice significa, em termos filosóficos, que a percepção que se tem das coisas está sempre a sofrer alterações: atribuem-se significados e qualidades às coisas não com base num critério objectivo, físico, verificável, mas porque o nosso aparelho sensitivo vai estabelecendo com essas coisas diferentes relações. Sendo esta a base das qualidades do mundo, tudo passa a inscrever-se num horizonte de instabilidade (...) in Fisionomias sobre Papel, Nuno Crespo
O Tempo dos Sonhos | Exposição de Mário Rita Museu da Cidade – Pavilhão Branco | 17 de Julho a 2 de Setembro de 2007 ——————— A instalação de cima surpreendeu-me pela escala e pela diversidade e multiplicação. O quadro de baixo podia vir para a minha casa. E que pena uma exposição destas em plena silly season, com a cidade deserta e sem a visibilidade que merecia. Ps.: O Museu da Cidade tem um jardim onde apetece estar, praticamente desconhecido da maioria das pessoas, com dezenas de pavões e um lago (que podia ter um ar menos pantanoso, é certo) com peixinhos vermelhos e tartarugas que se aproximam das margens.
A terrible cold and a back injury have ruined my weekend. The high temperatures with the thermometer reaching 39º didn't help my terrible mood. It seems it's going to rain on tuesday, and i wonder what happened to summer as i knew it... To complete all my misery i think my ipod is dead and i'm so pissed that i think it's better to stop writing, otherwise i might say something i'll regret later.
Pois. Já devia ter vindo há mais tempo... Demasiada expectativa dá nisto: um misto entre esperava mais e ainda bem que fui. Para a próxima tenho que ficar num lugar decente, o som lateral fez-me sentir do lado de fora do aquário. Quando voltar, e vai voltar de certeza, espero que toque esta.
When you get the time Sit down and write me a letter When you're feeling better Drop me a line I wanna know how it all works out I had a feeling we were fading out I didn't know that people faded out so fast And that people faded out When there was love enough left to fix it
This music has been in my head all day long. It pictures very well the way people try to mold others to their image (although everyone knows that's an impossible thing to do, because noone really changes) and when that doesn't work, just leave. I don't really like the video, so i suggest that you just listen to this song without looking at the screen...
Growing up put me really far away from all the familiar places, things and people. In all these years, i never stopped to think about it, but the last time i went there, the way home had changed, and i literally got lost in a Twilight Zone kind of thing. Fuck. That was the only word that came into my head, while i was trying to get back on the right way. I almost felt like sleeping beauty, immersed in a deep sleep for years, waking up to a completely new reality. Somehow i felt it like a little punishment for being away for so long. But still, nothing feels as good as going home knowing that you will be there waiting for me.
Este homem sempre escreveu canções sobre o amor nas suas mais variadas formas e é impressionante como foi ignorado durante décadas no Brasil e, consequentemente, no resto do mundo. Segundo as suas próprias palavras foi enterrado vivo. Há dois anos, num concerto gratuito, assisti ao seu génio ao vivo e rendi-me às evidências, admirando a sua capacidade de re-invenção quase aos 70 anos. Apesar dos problemas de audição que o afectam foi um concerto magnífico. É, na minha opinião, um dos maiores autores brasileiros e o disco de 1976 "Estudando O Samba" (raridade bastante difícil de encontar) um dos melhores discos da música brasileira e, por isso, intemporal. Para além disso tem um sentido de humor demolidor e uma visão sobre o mundo que merecem ser testemunhados.
Passa uma pessoa mais de um mês em contagem decrescente, a criar expectativas bastante altas e, vai-se a ver, são deitadas por terra em poucos minutos... Passo a explicar: bilhete comprado para a 2.ª fila, com a antecedência de quem não quer mesmo perder por nada o concerto de dia 31 de Maio no São Jorge; chego a horas (que isto hoje em dia é imprevisível se consigo ou não cumprir um horário...) e depois o homem entra em palco após uma introdução de duas músicas do senhor aqui da esquerda (aka Dosh) e que, quanto a mim, conseguiu salvar a noite. O som estava mau, foi melhorando ao longo do concerto mas nunca chegou a estar bom. Esperava qua a postura fosse bastante diferente e tive a sensação de débito durante todo o concerto, com a confirmação de apenas 1 encore apesar da insistência do público (o que me cheira sempre a uma falta de vontade que torna falsas todas as palavras proferidas apenas por obrigação e falsa simpatia: "naos adouramous Lisboua!"). Na verdade, não posso dizer que tenha sido mau, ele é um excelente executante e técnico, um virtuoso, mas faltou-lhe aquele toque que torna alguns concertos inesquecíveis. Deixo sempre impressionar-me pelos samples e loopings, mas nem esses foram bem executados e, se por vezes o erro até pode ter uma certa piada, neste caso soou a desleixo puro e duro. Já o Sr. Dosh impressionou bastante com o seu ar impenetrável e compenetrado, mudando das baquetas para o teclado, comandando praticamente todas as operações electrónicas que se iam transformando em música. Tendo eu que seleccionar muito bem o que posso ou não ver hoje em dia talvez tenha tido uma visão pouco tolerante sobre o espectáculo, mas a verdade é que me soube a pouco. Conseguiu voar, mas baixo.
Ps.: abonam a favor as meias às riscas iguais a umas que há aqui em casa e que, por coincidência, foram também usadas nesse dia!
Em conversa, de madrugada, ansiosamente à espera que o telemóvel tocasse com notícias do hospital, disse: "depois do primeiro assombro, logo o corpo fica farto", citando o Sérgio Godinho na minha balada homónima. Há verdades universais e esta é sem dúvida uma delas, mas o problema é quando se farta sem qualquer assombro e sem aviso prévio e, de repente, percebemos que tudo o que tomamos como certo pode desaparecer em poucos segundos. À velocidade de um desmaio. Em qualquer altura. Em câmara lenta.
When all is put in it's right shelf of importance, when all is forgiven and forgotten, everything seems clearer and true happiness turns out to be closer than we thought. And the truth is that we're really short on time, so let's cut all the crap and start cleaning up. It's about time, don't you think?
Há uns tempos atrás deixei de comprar uma determinada marca de iogurtes que teve a ideia peregrina de incluir nas tampas aderentes umas pequenas frases (que tinham o condão de me irritar de tão estúpidas que eram) com a intenção de elevar o estado de espírito de quem se preparava para os comer. "Olá doçura!", "És o meu doce!", "Derreto-me quando penso em ti!", e eu a pensar: mas quem é o idiota que achou que ISTO teria alguma piada? Por força das circunstâncias vi-me obrigada a voltar a comprá-los e a frase de um deles ficou a ecoar na minha cabeça (apesar de tão óbvia) e serviu para me fazer pensar que o autor da primeira leva de frases deve estar neste momento no desemprego...
I've returned over and over again to this song. The ice cracking just like a scar is a good portrait of the circumstances that are surrounding me lately while i'm still living in my little bubble that i hope will never burst. Oh, how i wish i knew how to ice skate!
When there's nothing left to burn, you've got to set yourself on fire.
Penso que devo ter adormecido por algum tempo; Pois quando acordei tinhas vindo e partido. Apenas algumas flores permaneciam – Flores que não podiam sequer dizer quem eram... E uma fragrância vaga e suave no ar.
Esta noite tenho de sonhar um sonho mais longo Para que as flores falem E a sua fragrância estenda uma trémula ponte Entre nós.