Et voilà, o extraordinário resumo da intemporal condição feminina por uma menina que ainda não tem três anos. Preparava-se para ir com o pai a uma loja ver esquilos e uma doninha. Já estava vestida quando percebeu que eu não tinha o casaco vestido: – tu nhão beins? – não. – nhão? – eu não posso ir, tenho que fazer o jantar. vão vocês os dois! (e sorri para ela) ficou com um ar pensativo e depois disse num tom pesaroso: – paiéches a gata buaieira... shempe, shempe a tabaiáe!
Hoje sonhei com a tua morte, aliás, com a notícia da tua morte. Passei a noite e a madrugada às voltas na cama a debater-me para que o cenário mudasse. Para não permanecer na escuridão e no vazio da vida que se me apresentava sem ti. Que ridícula, eu. A tua morte anunciaste-ma tu há muito tempo, voluntariamente, enquanto voltavas à vida noutros braços mais frescos, menos exigentes e desconhecedores do teu enorme ego. A tua irreversível ausência já se fez anunciar há muito tempo e eu tenho bem presente que apenas te passeias como um zombie no mundo dos vivos onde eu ainda habito. Quase como numa realidade paralela. Ou como se fossemos duas rectas que, contrariando a regra, não se cruzarão no infinito.
Today was my unlucky day i broke the swing down by the lake and i fell into a hole that someone had dug deep deep deep down through the mud and i was falling through the centre of the earth and i'm wondering how does this thing gravity work? because i think i must be halfway there will you stop me now before Australia? Slow Club, Sunday
Acho piada a esta rapariga e ao facto de não se levar muito a sério. E porque estou eu a falar dela, perguntar-se-ão vocês! Pois bem, outro dia no carro, mais uma vez (tenho saudades de andar mais a pé), passou uma nova música do Gavin Rossdale (que é o marido) anunciada como sendo a última maravilha do éter. Cruzes canhoto! Que música horrorosa, com aquele reverb manhoso na voz. A chamada musiquinha de ir ao morango (expressão muito antiga, vintage mesmo, usada pelos meus amigos e por mim para classificar aquelas baladas foleiras que não lembram ao menino jesus, mas que vá lá saber-se porquê, caem no goto e lideram tops)... E eis que me lembrei dela, da oxigenada mas talentosa Gwen que, apesar de ter uma estética um bocado duvidosa por vezes, conseguiu criar uma imagem coerente e sólida e tornar-se numa espécie de ícone. Acho-lhe piada. A ela e a esta música, à qual o Pharrel Williams deu o toque de Midas.
ps.: Este vídeo foi o único que encontrei completo. Está censurado (e isso irrita-me) e o som é mau, mas é melhor do que nada.
*ou como manter a alegria na lida da casa (sem o sala na telefonia) com músicas que eu não poria no meu leitor de mp3 mas que, vindas do rádio, até nem soam nada mal.
A hall of records, or numbers, or spaces still undone Ruins, or relics, disciples and the young Light touched my hands, in a dream of golden skans From now on, you can forget our future plans
Não ouvia esta música há anos. Hoje ouvi-a inesperadamente numa viagem de carro e apercebi-me de como, apesar dos anos todos que passaram, continua a ser tão intemporal e de que (é lixado mas é verdade) estamos todos a ficar velhos.
Ontem, a minha filha (que tem 2 anos e pouco mais de meio) sentou-se ao meu colo enquanto descarregava umas imagens da máquina. Ao ver a thumbnail desta imagem no meio de outras disse muito contente: – óia! um carro! – onde é que estás a ver um carro? – (a apontar para a foto) é o nósho mamã? – (eu ainda a recuperar do facto de ela perceber que esta imagem, completamente descontextualizada, é uma parte de um carro) não, não é o nosso... – não? – não, o nosso não é preto, é cinzento. – ah, poish é! E dei por mim a perceber uma vez mais que aquela cabecinha funciona sempre mais depressa do que eu consigo imaginar e que tem um poder de observação que ultrapassa tudo o que eu achava (talvez por inexperiência pura e dura) possível para esta idade.
Comprei-as num saldo (porque o preço normal é obsceno) há 3 anos. Aguentaram 1 gravidez e consequentes oscilações de peso, e muitas (mas mesmo muitas) caminhadas. Continuam a parecer novas. Recuperei-as da caixa onde estavam guardadas há um Inverno porque me mudei para uma cidade com temperaturas mínimas negativas (já não me lembrava de que aqui faz tanto frio...) e com máximas baixas demais para o meu termóstato. Não são especialmente bonitas nem elegantes mas são, neste momento, as minhas botas preferidas (ao ponto de não ter vontade de as descalçar). Chamam-se UGG e são australianas.
ps.: existem imitações muito perfeitas, made in china, que se fazem passar por originais, substancialmente mais baratas, mas que não têm a qualidade original. Por isso, se quiserem comprar umas, certifiquem-se de que não estão a pagar lebre e a comprar gato.
(...) The starmaker says it ain't so bad The dreammaker's gonna make you mad The spaceman says everybody look down It's all in your mind (...) And you know i'm fine, but i hear those voices at night Sometimes, they justify my claim And the public don’t dwell on my transmission Cause it wasn’t televised
But it was the turning point Oh, what a lonely night The Killers, Spaceman
Um Mundo Catita, a mini-série de 6 episódios do Manuel João Vieira (Ena Pá 2000 e Irmãos Catita), vai estrear na RTP2 no domingo (amanhã) às 23h40. Imperdível.
Do you think that you don't care about me? You're wrong. If i disturb you, what about it? You keep me hanging on to life. (...) London! The way you hate me is better than love, And i'm head over heels London! The way you want to get rid of me, Makes me weak in the knees Frida Hyvönen,London!
De todos os sítios onde já estive (e a lista já vai sendo longa), Londres é de longe a minha cidade preferida. Não me perguntem porquê, não consigo explicar. A primeira vez que lá estive senti-me em casa, parecia estar a voltar a um sítio que me era estranhamente familiar. Não acontece em mais lado nenhum. Apesar da chuva intensa dos 3 primeiros dias, foi uma das melhores viagens de sempre. Há músicas que também têm o mesmo efeito em mim. Que oiço em repeat até me fartar. Acho que há partes do meu coração que só voltam a funcionar perante isto. A adrenalina, os nós no estômago, as pernas pouco firmes. O estímulo eléctrico de que necessita para acordar. Todos os meus regressos dão sempre direito a um suspiro profundo (que às vezes nem sequer é palpável) como se me fosse mesmo vital voltar ali.
Se alguém me tivesse dito: – um dia vais gostar de uma série com vampiros e sangue e violência comó caraças. eu teria respondido – tás maluco! Mas o Alan Ball já tinha conseguido agarrar-me a uma sobre a morte e funerais (temas que não são propriamente da minha eleição), portanto devia ter percebido que o que viesse a seguir, seguindo obviamente a veia tétrica e negra, me iria prender e que a fasquia não baixaria. E se o genérico do Six Feet Under rondava o génio, o do True Blood não lhe fica nada atrás. E é por isso que agora passo os dias a cantarolar I wanna do bad things with you. (apesar de tudo, continuo a achar que o Six Feet Under era menos previsível e mais desconcertante do que o True Blood, que por vezes é um delírio um bocado excessivo com um vampiro demasiado humano e uma donzela demasiado segura... mas com um southern accent muito bem feito)