21.10.10

Shit happens



Há dias de merda, verdadeiramente, e eu hoje devia estar destinada a ter um.
Começou em beleza com o meu saco preferido do momento (sim o teu, Virgínia!) a cair do meu ombro directamente para uma sarjeta, estrategicamente em cima de uma escarreta nojenta.

Depois, uma ida ao dentista com uma anestesia lixada que não resultou lá muito bem.
A seguir, como estava cheia de fome, resolvi comer (grande estúpida, que o dentista bem me avisou!) e mordi o lábio anestesiado, que está a latejar até agora à conta da proeza.

Mas o melhor ainda estava para acontecer.

Fiz uma chamada em cima de uma ponte sobre o rio.

Quando, no final, passei o telefone de uma mão para a outra (e não, não foi um passe à Marco Paulo!), falhei e escaqueirou-se no chão, abriu-se e só tive tempo de descair o queixo enquanto via a bateria saltar pelo meio das grades e fazer
ploft no rio.
Fiquei um bocado a olhar para a água a assimilar o que tinha acontecido sem saber se rir, se chorar. Optei por rir.

A seguir avancei pela rua com um bocado do telemóvel em cada mão e quando voltei a olhar para ele, percebi que o cartão
sim tinha caído algures durante o percurso.
Voltei atrás, procurei no meio do alcatrão, no meio da estrada mesmo, no passeio e lá o encontrei, por isso menos mal.
Para terminar a manhã em beleza, tive uma (des)conversa com uma das encarregadas da ZARA
que se recusou a aceitar uma devolução de umas botas que comprei pretas e que, ao fim de um dia de uso, tinham a sola a ficar beige.
Desde dizer-me que aquele era o
look das botas, até que eu tinha comprado as botas enganada porque elas eram mesmo assim (!) a conversa passou por várias pérolas de tentativa de ludibrianço.
Azar, que eu sou mais inteligente do que isso e gosto pouco que me façam de parva e, já que estava a ter um dia merda, então nada melhor do que escrever no livro de reclamações a explicar porque é que é ridículo e inaceitável que uma loja que vende produtos sem qualidade, mascarados de outra coisa, se recuse a aceitá-los de volta perante uma falha tão óbvia.

Mas o dia teve um final feliz: encontrei uma bateria barata e aceitaram a reclamação e devolveram-me o dinheiro noutra loja, onde a encarregada é uma pessoa ponderada, simpática e normal.

Por isso,
shitty day = 0 – Rita Maria = 1.
Some days are better than others.


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There are some shitty days, really, and today i was meant to have one.
It began beautifully with my favorite bag of the moment (yes
yours, Virginia!) falling from my shoulder straight into a gutter, on a disgusting piece of spit.
Then a visit to the dentist with a non-working anesthesia, yikes!
Then, as i was starving, i decided to eat (stupid me, because the dentist warned me!) and bit my numb
lip.
Oh, but the best was yet to happen.
I made a phone call while on a bridge over the river.
When, in the end, the phone went from one hand to the other and failed, it fell on the floor, got open and i only had time to drop my chin as i watched the battery jumping through the railings into the river, making ploft.
I stood there for a while without knowing whether to laugh or to cry. I chose to laugh.
Then i went down the street with a bit of the mobile phone in each hand and when i looked at it again, i realized that the sim card had fallen sometime during the way.
I went back all the way, i looked in the middle of the road, the sidewalk and finally (and luckily) found it.
To end the morning in beauty, i had a very stupid conversation with one of the managers of ZARA, who refused to accept a return of a pair of
black boots that i bought there and, after a day of use, the top of the soles had gone from black to be beige.
The conversation went through several attempts to deceive me.
Oh, but bad luck, i'm smarter than that, and since it was having a shitty day, then nothing better than writing the
claims book to explain why it is ridiculous and unacceptable that a store that sells bad products, pretending they're good, refuses to accept them back before a so obvious failure.
But the day had a happy ending: i found a cheap battery and got the complaint accepted and the money returned in another store, where the manager is a thoughtful, friendly and normal
person.
So, shitty day = 0 | Rita Maria = 1.
Some days are better than others.

18.10.10

7!



Ben Lee, Cigarettes will kill you

Acho que mereço uma prenda: não fumo há 7 anos!

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I think i deserve a present: i've been smoke-free for 7 years today!

16.10.10

Hanging out




Acredito que grande parte das pessoas tem em si características peculiares, que acabam por revelar-se em pequenas coisas que podem facilmente passar despercebidas a muitas outras.
Gosto, entre outras coisas (e sim, os sapatos são uma delas!), de estendais com padrões e cores diversificados, de montras sugestivas e de, invariavelmente, sair de casa sempre com a máquina fotográfica na mala ou no bolso.
Podia ser bem pior, certo?

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I really do believe that most people have peculiar characteristics, which turn out to be revealed in small things that can easily pass unnoticed by many.
I like,
among other things (and yes, shoes are one of them!), clotheslines with diverse patterns and colors, suggestive window shops and, invariably, to always carry a camera in my purse or pocket.
Could be a lot worse, right?

9.10.10

36, it's my party!




Resumo do meu dia de anos: tornei-me dadora de medula óssea; fui (como de costume) à feira de velharias, que acontece todos os segundos sábados de cada mês, e comprei um prato de porcelana lindo que foi logo estreado para pôr o bolo; almocei e lanchei com algumas das minhas pessoas preferidas.
Foi um dia feliz e simples, como devia.
Obrigada a todos os que, de alguma forma, se lembraram de mim hoje.


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Summary of my birthday: i became a bone marrow donor; went (as usual) to the flea market, which happens every second saturday of the month, and bought a beautiful china plate which was premiered to put the cake; had lunch and tea with some of my favorite people.
It was as good and simple day, as it should have been.

Thank you to all those who somehow remembered me today.

6.10.10

Respigar



O filme da Agnès Varda, Os Respigadores e a Respigadora, veio há muito tempo alertar-me para o sentido que faz reaproveitar o que os outros já não querem/não vão usar.
Aplico isso muitas vezes no meu dia-a-dia, mas nunca tinha ido fazer o verdadeiro respigo.

Até ontem.
Na semana passada, em conversa com uma pessoa próxima sobre o facto de a Rosa fazer isto todos os anos, fiquei a saber que muito perto da cidade havia campos com restos de tomate que não foram colhidos.

A minha avó materna fazia um doce de tomate inesquecível, a minha mãe faz outro igualmente delicioso, e foi irresistível ir apanhar alguns e, pela primeira vez, aventurar-me também a fazer doce.

Para primeira vez, acho que me safei bem!


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The film by Agnès Varda, The Gleaners and the Gleaner, alerted me a long time ago that makes all sense to reuse what others no longer want/will not use.
I apply it many times in my day to day life, but had never tried the real glean.

Until yesterday.
Last week, in conversation with a close person on the fact that
Rosa does that every year, i learned that the city was very close with leftover tomato fields that had not been collected.
My maternal grandmother made an
unforgettable tomato jam, my mom makes an equally delicious one, and it was just to irresistible to go there and pick some and, for the first time, also venture to make some jam.
I think i did very well!

24.9.10

The beautiful clothesline




O meu amor por estendais não é novidade para ninguém.
Acontece que este ano passo frequentemente (duas ou três vezes por dia) por este, que tem sempre uma surpresa qualquer pendurada para me alegrar os olhos e o espírito.
Sorte a minha, que ando sempre com a máquina atrás e que consegui fotografar esta raridade de manta num patchwork mix de crochet e tecido.

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My passion for clotheslines is not news to anyone.
Turns out this year i often (two or three times a day) go by this one, which always has a surprise
hanging for me, brightening my eyes and spirit.
Lucky me, that always carry a camera and could photograph this rare afghan patchwork mix of crochet and fabric.

22.9.10

A little help from my friends


Se não fosse a chocante e triste notícia que recebi hoje de manhã e que me toldou a visão e ocupou o pensamento durante todo o dia, talvez arranjasse uma qualquer desculpa para não me mexer.

Apesar de já ter pensado que ia à recolha que vai haver , na manhã do dia dos meus anos, não há realidade mais dura e crua do que acontecer a alguém que está perto e de quem gostamos.
Porque aí já não há desculpas e porque se tem a verdadeira percepção de que a vida é mesmo uma realidade efémera, que pode acabar abruptamente em qualquer altura.
Acho que todas as pessoas deviam sentir-se na obrigação de fazer parte do registo de dadores de medula óssea.

Porque uma coisa é pensar em como a leucemia aguda é uma doença injusta e terrível, outra, bem mais palpável, é agir e poder algum dia vir a salvar a vida de alguém, mesmo que seja a de um desconhecido.

20.9.10

Who wants postcards?



Há já algum tempo que ando a pensar nas várias aplicações possíveis para uma selecção das fotos que tirei no âmbito do Bench Monday.
Entre outras coisas, que irão acontecer mais à frente, estarão disponíveis em breve alguns postais para venda individual ou em conjunto.

ps.: Talvez tenha que começar a usar tags para que se perceba a diferença entre realidade e ficção, uma vez que recebi várias mensagens de consternação em relação ao post anterior.
Em 1.º lugar, muito obrigada pela vossa preocupação, em 2.º, quero dizer-vos que foi apenas o primeiro de uma série de posts inspirados em música + fotos. Esses posts não serão auto-biográficos, tal como este não era, por isso não se assustem se lerem coisas diferentes do que costumam encontrar por aqui.
Aliás, a ideia é mesmo que seja um exercício de escrita inspirado no que uma determinada imagem ou música ou ambas me transmitem.

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I've been thinking for some time about the multiple possible applications for a selection of photos i took for Bench Monday.
Amongst other things that will happen later, some postcards will be available for sale soon, individually or together.

ps.: I may have to start using tags to note the difference between reality and fiction, since i have received many messages of concern regarding the previous post.
In 1st place, thank you for your concern, in 2nd place, i just wanted to let you know it was just the first of a series of posts inspired by music + photos.
These posts are not auto-biographical, like the previous one wasn't, so do not be alarmed if you get to read different things than you are used to find around here.
I really want this to be
a writing exercise inspired by a particular image or song, or both, and the universe that they take me to.

18.9.10

Waltz #2


Na vertigem que é a visão que o espelho me devolve, penso no que já não reconhecerias, em mim e nos meus escombros, se os nossos olhares voltassem a cruzar-se como antes.
Nos cabelos brancos que já quase me cobrem grande parte da cabeça, mas que pinto porque não gosto de me ver velha.

Nos olhos, que para ti sempre foram cinzentos ou azuis, conforme os desejos da cor do céu, e que hoje em dia todos teimam em dizer-me que são verdes. E que já não vêem longe como dantes, e que são tristes, e têm já algumas rugas, e já não brilham, e que perderam a conta às lágrimas que choraram por ti.
Talvez seja também por isso que perderam a cor, que desbotou como a da roupa ao fim de muitas lavagens, não resistindo aos imensos dilúvios que me inundaram os dias.
As contas que faço aos anos que passaram assustam-me.
As contas que faço aos anos que faltam assustam-me ainda mais.

E a vida continuou sem ti, e envelheço sem ti, e vejo-me ao espelho, não todos os dias, mas há dias em que penso no que dirias e se continuarias a achar-me bonita.

Não que isso importe.

É feia a cicatriz que o espelho me devolve, juntamente com outras mais insignificantes, por trás da imagem que me compõe.

E dou por mim a pensar que ninguém devia morrer assim para ninguém.


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In the vertigo of the vision that the mirror returns everytime i look at my reflection, i think about what you wouldn't recognize (in me and my ruins) if our eyes would ever meet again.
The white hair, that almost covers a large part of my head, but that i dye because i don't like seeing myself so early aged.

In the eyes, which for you have always been gray or blue, depending on the wishes of the color of the sky, and that nowadays everyone insists in seeing green. And that don't see as far as before, and already have some wrinkles, and no longer shine, and have lost count of the tears they cried for you. Maybe that's why they lost their color, which faded as the clothes colors after many washes, not resisting the massive floods that filled my empty days.
I get scared when i think of how many years have passed.
The
remaining years scare me even more.
And life went on without you, and i grow old without you, and i see myself in the mirror, not everyday, but there are days when i think of what you would say and if you would still find me beautiful.
Not that it matters.

It's a big and ugly scar that the mirror shows me, along with more insignificant others, behind the image everybody sees.
And I find myself thinking that no one should die like this to anyone.

11.9.10

No place to fall



but time, she is a fast old train
she's here and she's gone and she won't come again
so won't you take my hand?
if i had no place to fall and i needed to
could i count on you to lay me down?

9.9.10

Such a perfect day





Desde que deixei de viver em Lisboa, as visitas são esporádicas.
Ao início, precisei mesmo de uns tempos de distância para ter saudades e para aproveitar ao máximo a adaptação a novos ritmos e hábitos de vida na nova morada.
Mas, agora, sabe-me sempre bem voltar porque consigo aproveitar o que a cidade tem de melhor, com o tempo e a calma necessários para isso.
Já não pertenço aos milhares de pessoas que andam a correr para os transportes públicos, posso dar-me ao luxo de passear, sem pressas e a pé se me apetecer.
Esta visita de pouco mais de 24 horas foi especialmente cheia de coisas muito boas:
- revi e conversei muito com a querida Sónia e conheci finalmente a Rosa e passámos as três muitas horas boas juntas;
- dei as boas-vindas à minha linda amiga Sofia (que finalmente regressou a casa), e tivémos tempo para pôr a conversa em dia e dar abraços e rir à gargalhada, entre muitas outras coisas por nos lembrarmos de que já só estamos a 130km uma da outra;
- abracei a minha irmã e fomos as três ver os Fanfarlo para comemorar em grande estilo o regresso da Sofia.
Há dias que conseguem mesmo ser perfeitos.

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Since i stopped living in Lisbon, i return very randomly.
At first, i really needed some time-off to get used to my new life.
Now, i always love coming back because i can choose to do whatever i feel like doing and take the best out of it.
I'm not a part of the millions of people that are in a hurry all day long
anymore, and i can walk, without any hurry at all, if i feel like it.
This time i was there for 24 hours, filled with good things:

- i got together with dear Sónia and finally met Rosa, and the three of us spent a lot of good time with each other;
- i welcomed my dear friend Sofia (that finally came back home), and we had the time to talk and hug and smile a lot, just by remembering, amongst other things, that now only 130km separate us;
- i hugged my sister and the three of us went to see Fanfarlo to celebrate Sofia's arrival in a great way.
Some days can really be perfect.

1.9.10

1+1=12



Podia escrever-te, mas prefiro que oiças.
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I could write it down, but i rather want you to
listen.

22.7.10

Alentejo, i ♥ you





© Nuno Andrade

Não sei se é da costela que tenho, vinda de Portalegre, Castelo de Vide e Escusa, mas o Alentejo exerce um fascínio especial sobre mim.

Há dois anos, ou mais, que não tinha um fim-de-semana de folga e nada melhor que um convite de amigos e um concerto, uma combinação já com vários meses, para uma pausa física e mental.
Do itinerário fizeram parte Évora, Serpa e Moura, seguidos de uma escala em Lisboa, a caminho de casa.
Estava um calor abrasador que conseguimos quebrar com uma ida à praia fluvial da Mina de São Domingos e na maravilhosa piscina de Serpa.

Em Évora vimos uma
exposição de uma coisa rara: desenhos do Francis Bacon, que sempre afirmou veementemente que não desenhava.
Em Serpa fomos ao Festival Noites da Nora, ver um concerto dos Diabo na Cruz que ao vivo superaram as minhas expectativas. O baterista foi arrebatador e o sentido de humor e a boa música, que ganha muito ao vivo, venceram o cepticismo da minha cara-metade.
E um dos momentos altos da noite aconteceu quando um cachorro subiu ao palco (obrigada Nuno por me emprestares a tua foto), passeou por lá e finalmente se aninhou e deitou e quase adormeceu ao pé de um dos monitores.
Depois do descanso, entreteve-se a roubar as garrafas de água ao B Fachada.

É sempre bom relembrar que as férias ou pausas cá dentro podem ser tão boas, temos que fazer isto mais vezes.

11.6.10

The saints are coming to town





Louis Armstrong and Danny Kaye, When the saints go marching in

8.6.10

Favorite places



Não é todos os dias que tenho a oportunidade de falar dos meus sítios favoritos.
Ou porque a rotina diária não o permite ou porque outros assuntos se vão sobrepondo ou porque a cabeça anda ocupada demais com preocupações urgentes e/ou pesadas.
A Miriam convidou-me, e foi bom ter que parar para pensar nisso, e é graças a ela que estou hoje no blog Handmade Europe a mostrar alguns dos espaços de que mais gosto da minha tão recente (mas tão antiga casa), e também a falar de alguns dos locais da minha cidade natal, para onde voltei há tão pouco tempo depois de ter dado uma espécie de grito do ipiranga e de ter mandado às urtigas uma série de convenções, e de outros sítios onde já estive e que me marcaram muito.

Obrigada também à Minna, que conduziu a entrevista, espero que gostem.

A loja cooler foi (finalmente!) actualizada com muitas das peças que fiz e com mais algumas que estão disponíveis na nova loja etsy (sobre a qual farei um post mais tarde).
Basta seguir os links assim que estiverem lá.


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It's not everyday that i get the chance of talking about my favorite places.
Either because my daily routine won't allow it, or because other issues will overcome it, or just because my head is too crowded worrying with heavy/urgent stuff.
Miriam invited me, and it was great just to take a break and think about it.
And thanks to her, today i'm at the blog
Handmade Europe, showing some of the spaces i like the most at my so recent (yet so old house), and also talking about some of the places at my hometown, where i've recently returned to after deciding to take major changes in my life, and about other places where i've been and that really made a difference in what i am today.
I also want to thank Minna, who conducted the interview, i hope you like it.

Cooler shop has (finally!) been updated with many pieces i made and some new that are available at my new etsy (about what i'll post later).
Just follow the links once you're there.

16.5.10

All on wheels


Muito se escreve sobre pedagogia e sobre as alturas adequadas das aprendizagens.
Eu tento acompanhar e digerir mas, como em todas as outras coisas pelas quais tento reger a minha vida, não gosto que me ditem regras nem que me digam que é proibido ou que tenho que me manter dentro da linha.

Nunca gostei de radicalismos, fossem eles quais fossem, nem de carneirismos, nem de psicólogos e pediatras a ditar regras como se fossem leis, esquecendo-se de uma coisa essencial que é para mim tão clara que não entendo sequer como se escrevem artigos de opinião ou livros, apenas com o fito do best-seller, a teorizar sobre um assunto esquecendo-se dela: todas as crianças têm necessidades diferentes, e cabe aos pais o bom senso de saber solucioná-las, colmatá-las, resolvê-las, entendê-las.
Elas não nascem programadas, não têm um botão on/off.
Para o problema A não existe a solução B, não são um problema matemático, nem uma equação e muito menos autómatos.
Quando eu era pequena entrava-se para a escola mais tarde, aprendia-se a ler mais tarde, não havia televisão como há hoje, nem dvd's, nem internet, nem tantas actividades disponíveis para as crianças, se bem que acho que tudo isso é bom com conta peso e medida.
O advento dos tempos modernos trouxe essas coisas todas e muitos outros estímulos, e ainda bem, o que faz das crianças seres muito mais atentos e desenvolvidos e mais participativos desde muito mais cedo na vida familiar, no mundo.

Hoje há quem defenda acerrimamente que as crianças devem apenas aprender a ler aos 7 anos. Que até aí devem apenas brincar.
Como se fosse uma regra inquebrável sob pena de trauma com sequelas irrecuperáveis para a vida.
Eu tenho uma criança de 4 anos que devora livros que finge que sabe ler, que quer aprender a ler, que decora o alfabeto, que tenta escrever e que eu não tenciono contrariar na sua intenção de aprendizagem.
A maternidade/paternidade e a vida em geral são um trabalho em progresso, com tudo o que isso tem de bom e de mau, com constantes adaptações necessárias.
Vi os meus pais cr
escerem nesse sentido e ultrapassarem limitações que lhes foram impostas, até numa questão de educação, para me verem feliz na minha vida até agora.
Considero isso um sinónimo de inteligência e de grande amor e espero conseguir fazer o mesmo em relação à minha filha ao longo da vida dela.

11.5.10

cooler at loja de estar




Há 2 (ou 4) novas peças da cooler na loja de estar.
Continua, na minha opinião, a ser um dos projectos mais engraçados que surgiu nos últimos tempos, e eu estou muito contente por fazer parte desta tão colorida colecção de primavera-verão.

Ora espreitem !

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There are 2 (or 4) new cooler pieces at
loja de estar.
This shop is one of my favourites and i'm thrilled for being part of this colourful spring-summer collection.

Go and take a look
there!

8.5.10

Safari

Acho que a razão pela qual gosto tanto de música hoje em dia tem uma relação directa com o facto de ter crescido a ouvi-la de uma forma natural, tal como bebia água, comia ou dormia. Desde o Franck Pourcel aos Abba, passando pelas Doce (fase em que exasperei a minha mãe quando aos 4 ou 5 anos esganiçava pela casa a cantar aquelas letras de encontros amorosos manhosos de madrugada) e toda a santa foleirada que foi apanhando boleia pelo caminho.
Mas a minha adolescência foi marcada por duas metades: a primeira, pelos Stone Roses, a segunda, pelos Pixies. E não me venham cá dizer coisas, porque continuam a ser duas das minhas bandas preferidas até hoje.

Juntamente com os Pixies, veio a adoração pela Kim Deal, sim, porque sem ela os Pixies nunca teriam saído da cêpa-torta, e as Breeders.
A música tem o poder fantástico (a par dos odores e dos sabores), de me transportar, assim com efeitos especiais e tudo, no tempo e no espaço, a uma velocidade vertiginosa, para sítios recônditos e esquecidos. Sem travão, nem mudanças, nem cinto de segurança, nem airbag. De repente já lá estou e não há mesmo nada a fazer, só esperar que a música acabe. Às vezes é doloroso, outras não.
Se consegui encontrar o primeiro disco dos Stone Roses em Londres há uns anos por um preço anedótico e vim de lá em êxtase, e foi um disco do qual nunca cheguei propriamente a esquecer-me, ontem, ao procurar umas músicas no youtube, dei de caras com um disco que me levou de volta uns bons 15 anos, ou talvez bem mais, com um belo sorriso na cara a acompanhar.
É um EP das Breeders com 4 músicas chamado Safari, lindo, e se a memória não me falha, ofereci-o em vinil à pessoa mais importante da minha vida na altura.
Pergunto-me se ainda o terá passado tantos anos...

Não sei como fui capaz de me esquecer disto, ora oiçam lá:










5.5.10

A simple story


O mundo é cada vez mais uma janela de oportunidades e mais global e está, cada vez mais também, à distância de um clique.
E foi através de um desses cliques (obrigada para todo o sempre Margarida!) que fui convidada pela curadora, Zoë Melo (TOUCH), para integrar uma exposição em Nova Iorque e é por isso que, neste momento em que escrevo, há seis peças minhas (infelizmente, eu já não cabia na caixa!) a caminho da exposição >INTER-CONNECTED<, que vai acontecer de 13 a 17 de Maio, durante a semana do Design de Nova Iorque, que reunirá designers brasileiros e portugueses, todos com o denominador comum do design sustentável como ponto de partida. Podem ver o convite e todos os participantes aqui.
Estou tão feliz como cansada, foram umas semanas de trabalho intenso, mas o balanço final leva-me a achar que vale sempre a pena arriscar e aproveitar quando há alguém que acha que o nosso trabalho é digno de aposta e merece ser mostrado no âmbito em que vai ser.
A cooler tem pouco mais de um ano, e pensar que vai estar representada numa exposição ao lado de nomes que admiro, e outros que conheci agora mas que têm trabalho com tanto potencial, deixa-me quase a levitar e com a certeza de que trabalhar muito me está a fazer avançar para realidades boas.
Como devem calcular, não tenho palavras para agradecer à Margarida, que com uma atitude absolutamente desinteressada, até porque nem nos conhecemos, despoletou uma coisa tão positiva para mim, nem à Zoë, pela oportunidade e pela aposta e pelo carinho todo que demonstra por todos aqueles com quem colabora, eu incluída, mesmo que seja uma colaboração tão recente.
Muito obrigada a ambas e a todos aqueles que repetidamente manifestam o seu apreço por mim e pelo meu trabalho.
Fazem com que tudo isto valha (muito!) a pena, sabem?