
O novo ano teve um início duro.
Entrei nele a observar de fora a felicidade dos que me rodeavam, despreocupados e felizes, com todas as possibilidades em aberto que um novo começo promete para quem tem saúde, e para quem a maior preocupação do novo ano se prende com duodécimos ou a falta de poder de compra.
Comecei 2013 com as lágrimas a correr-me pela cara abaixo porque sabia que passados alguns dias iria passar por uma cirurgia difícil, que me apanhou na curva, saída do nada.
Por mais que estejamos acompanhados por quem gosta de nós (e eu estava e isso é muito bom, claro!), é uma solidão imensa. Na hora da verdade, estamos resignados e sozinhos, com os nossos medos e fragilidades físicas e emocionais.
Agora já está. Passaram 11 dias desde que tirei o bocado que (não) era preciso.
Mas falta o resto: o tempo, a incógnita que permanece, a espera.
Já aqui escrevi sobre a extraordinária dificuldade que tenho em esperar.
É uma característica de sempre, em mim, que tenho vindo a tentar domar, até porque a vida se encarregou de me mostrar há muito que tudo tem o seu tempo e que há coisas que não vale a pena apressar (ou adiar).
Não importa se espero por coisas boas ou más, mas a medida do tempo entre o não saber e o saber, tudo o que se passa nesse intervalo é, provavelmente, das coisas mais insuportáveis para mim.
Distraio-me como posso enquanto espero.
Neste caso específico, tudo está em aberto, e anseio pelo dia em que me vão dizer que posso parar de suster a respiração, posso voltar à superficie, encher os pulmões de ar e festejar o facto de não ter de voltar a pôr os pés num hospital para mais do que visitas esporádicas de rotina.
E, aí sim, posso começar de novo.