1. Já temos este em miniatura na sala, um dia hás-de ter aquele em tamanho real (entretanto, podemos ir vê-lo ao Museu da Cidade).
2. Devolvo-te o poema com o qual me apresentaste o Cesariny: Afinal o que importa não é a literatura nem a crítica de arte nem a câmara escura Afinal o que importa não é bem o negócio nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio Afinal o que importa não é ser novo e galante – ele há tanta maneira de compor uma estante Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício e cair verticalmente no vício Não é verdade rapaz? E amanhã há bola antes de haver cinema madame blanche e parola Que afinal o que importa não é haver gente com fome porque assim como assim ainda há muita gente que come Que afinal o que importa é não ter medo de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente: Gerente! Este leite está azedo! Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir de tudo No riso admirável de quem sabe e gosta ter lavados e muitos dentes brancos à mostra
Para quem achava que a música francesa se cingia a Edith Piaf, Jacques Brel (sim eu sei que ele era belga, mas cantava em francês e isso é que interessa para aqui), Serge Gainsbourg e pouco mais, desengane-se. Esta rapariga é muito boa e recomenda-se e os Nouvelle Vague também acham. Camille,Ta Douleur
Tenho uma grande facilidade em fixar datas. Todas as datas, as boas, as más, as assim-assim... O que pode parecer uma coisa boa (porque dispenso agendas, pda's e afins), pode transformar-se rapidamente numa coisa triste. Lembro-me de todas as datas dos meus mortos, de há quanto tempo desapareceram e de como continuam a fazer-me falta. Apesar de, com o passar dos anos, haver uma reconciliação com a ideia da perda, quando chega o dia sinto-me sempre triste e com saudades, muitas saudades. Preencho o vazio com memórias límpidas e com a certeza de que a minha vida teria sido muito diferente se não tivessem passado por mim. Ps.: Terias adorado conhecer a A., é parecida contigo e nasceu quase no dia dos teus anos.
Pequenas dúvidas existenciais: 1. Instalei um contador aqui que vejo aumentar de número todos o dias (não está avariado, portanto). 2. Há visitas regulares e repetidas, o que prova que quem vem deve gostar do que lê e do que vê (ou então não gosta e volta só para se certificar de que o blog é mesmo mau). 3. O meu ego está desesperadamente necessitado de um aumento (que isto de uma pessoa ficar doente deita abaixo...) 4. Porque é que quem vem aqui uma vez e outra e outra não faz um comentáriozito?
Se quiserem dizer bem, mal, fazer sugestões, trocar cromos, berlindes e brindes Kinder, também podem. Mas não me deixem assim no silêncio, que isto de falar para o boneco cansa!
ouve-me que o dia te seja limpo e a cada esquina possas recolher alimento suficiente para a tua morte
vai até onde ninguém te possa falar ou reconhecer – vai por esse campo de crateras extintas – vai por essa porta de água tão vasta quanto a noite
deixa a árvore de cassiopeias cobrir-te e as loucas aveias que o ácido enferrujou erguerem-se na vertigem do voo – deixa que o outono traga os pássaros e as abelhas para pernoitarem na doçura do teu breve coração – ouve-me
que o dia te seja limpo e para lá dele constrói o arco de sal a morada eterna – o mar por onde fugirá o etéreo visitante desta noite
não esqueças o navio carregado de lumes de desejos em poeira – não esqueças o ouro o marfim – os sessenta comprimidos letais ao pequeno-almoço
Gosto que os meus dias tenham banda sonora. O tempo passa a ser marcado não só pelos acontecimentos de cada dia, mas também pelas canções que, passados vários anos, me transportam num nítido flashback até aos dias, horas ou minutos em que as ouvi repetidamente.Em casa, no carro, na rua, no trabalho, há sempre música onde quer que esteja e a minha vida está marcada, segmentada e armazenada em centenas e centenas de canções. Sobre algumas pairam nuvens negríssimas, outras irradiam luz. Deve haver dezenas, centenas, milhares de pessoas como eu e cuja vida também segue ao som de uma música qualquer... Hoje a minha segue ao som desta e a vossa?
Desde pequena sempre gostei de ver anúncios. Nos intervalos dos mais variados programas, desde o telejornal aos desenhos animados, toda a gente em minha casa mudava de canal ou baixava o som da televisão e eu não percebia porque é que ninguém partilhava comigo o fascínio por aqueles segundos (ou minutos). Desde o anúncio das bombocas ao do coelhinho que ia com o pai natal no comboio ao circo, passando por tantos outros, fui crescendo a gostar de publicidade. Hoje em dia, e salvaguardando as devidas distâncias, porque se tornou um meio subversivo e o apelo ao consumo e ao endividamento é gritante, aprecio cada vez mais a forma inteligente como algumas campanhas são conduzidas, sem dar lugar ao facilitismo, e provando que a inovação é ainda possível recorrendo a ideias bastante simples. Este é o melhor spot publicitário para um automóvel que vi nos últimos tempos.
Para quem, como eu, não pode comer açúcar (não por ser diabética, mas por ter fortes probabilidades de passar a ser), é muito difícil encontrar doces com edulcorante que sejam bons. Eu, que sempre achei um disparate comer coisas light – se calhar por nunca ter tido problemas de peso –, passo agora horas na secção das dietas e produtos biológicos a tentar hipnotizar algum pacote de bolachas que não me faça disparar a insulina. É uma tarefa que se pode tornar bastante deprimente e depressa cheguei à conclusão de que ser diabético, ou perto disso, agride inutilmente o porta-moedas: os produtos são estupidamente caros e a maior parte sabe a ração para cavalo*. Mas no meio deste deserto – ó sim, aleluia! – eis que surge um oásis. Que os bombons normais eram bons já eu sabia mas, na semana passada, decidi experimentar os bombons de chocolate preto sem acúcar. O substituto utilizado é o maltitol (extraído de malte), parecem a sério e são mesmo bons.
Se eu pudesse, ia: Hoje, na galeria Graça Brandão, no Porto, inauguração da exposição individual de Nuno Sousa Vieira. Até 16 de Dezembro de terça a sexta 10h00-12h30 e 15h00-19h30 e aos sábados e segundas-feiras 15h00-19h30.