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Penso que devo ter adormecido por algum tempo;Pois quando acordei tinhas vindo e partido.Apenas algumas flores permaneciam –Flores que não podiam sequer dizer quem eram...E uma fragrância vaga e suave no ar.Esta noite tenho de sonhar um sonho mais longoPara que as flores falemE a sua fragrância estenda uma trémula ponteEntre nós.P. S. Rege [trad.: Cecília Rego Pinheiro]
É verdade, afinal é mesmo verdade.Mesmo quando achamos que todas as luzes se apagaram para nós,
lá do fundo, de onde não se espera nada (porque nada há a esperar de quem não nos conhece), surgem os gestos mais significativos desde há muito tempo. E, apesar de tão simples, fazem equacionar a importância que damos às pessoas que nos cercam e que, contrariamente, não se esforçam nada por saber de nós ou tornar-nos a vida mais leve.E sim, eu sei que isto parece aquele blá blá blá dos livros de auto-ajuda mas a verdade é que descobri muito recentemente que os estranhos podem mesmo ser perfeitos, se calhar por isso mesmo, por serem estranhos. Não nos conhecem as falhas mas estão dispostos a gostar de nós mesmo assim e a dar sem receber em troca. A bondade pela bondade.
E isso é bonito e é por isso que escrevo.Obrigada S. (na terra das minhas flores favoritas!) e J. (da minha máquina fotográfica engasgada até hoje!)