Até podia fazer uma lista de todas as coisas boas que 2007 trouxe e uma também das más. Mas não tenho tempo agora. Na verdade, todos os anos trazem um pouco de ambas as coisas e, no último dia do ano, há sempre a tentação dos balanços e das resoluções. 2008 vai ser – e isto não foi a Maya que disse, fui eu que resolvi – um ano de grandes mudanças. Por isso, hoje à noite, vou comer as minhas 12 passas muito devagarinho para que não me esqueça de nenhum dos meus desejos que (mais coisa, menos coisa), tenho a certeza, irão realizar-se. Porque as boas decisões acabam sempre por dar os seus frutos.
Para os dias em que a vitamina C devia abundar em vez de faltar. (ou as maravilhas que uma máquina de escrever e um xilofone – aka Nuno Rafael – podem fazer a uma música).
There are two things I will carry in my pockets at the end Oh, my darling, You are one of them The way you look when you have a story to begin, Oh, my darling, That's the other half
And I will never lose them, No i'll never never show them like a prize I will keep them out of sight And I will never give them up to any ceiling Promise or a lie, They are mine until I die, until I die Basia Bulat, Oh My Darling
Como estou com preguiça e li aqui uma crítica muito aproximada do que me pareceu a experiência (apenas com a diferença do ângulo – estava no andar de cima a espetar a máquina e a desejar que a pandeireta entrasse a tempo, coisa que não correu assim lá muito bem...) Deixo aqui 2 fotos que suponho estejam – e passo a citar – encantadoramente más! Podem ver fotos decentes aqui.
Em resposta tardia ao António, aqui vai uma lista de cinco filmes de que me lembro e que me marcaram de alguma forma. Quando se faz uma lista destas é difícil deixar de fora outros que também são/foram importantes. Algumas escolhas poderão parecer estranhas e outras óbvias (não teriam sido bem estas se tivesse encontrado o raio dos trailers...)! Então, sem ordem de preferência:
Wong Kar-Wai, In The Mood For Love
Sofia Coppola, Lost in Translation
Jacques Tati, Playtime
Paul Thomas Anderson, Magnolia
Jean Pierre Jeunet, Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain
... e que, curiosamente, tu aplicas e eu não sou capaz: a competência não se define pelo coração.* *Gonçalo M. Tavares, Aprender a Rezar na Era da Técnica
Por motivos alheios à minha vontade (raios partam a conjugação Inverno+Creche) tenho passado, nas últimas semanas (se calhar meses), alguns dias em casa. Até agora desconhecia a paralisia cerebral provocada pela programação televisiva diurna (não é que a nocturna seja melhor...) mas, na semana passada, descobri um programa que me deixou em estado catatónico! "As tardes da Júlia", é assim que se chama, é uma verdadeira aberração (que não entendo como tem tempo de antena) do princípio ao fim (quer dizer, na verdade não vi até ao fim, aquele excerto chegou-me!): a Júlia Pinheiro, no seu inimitável estilo galináceo, falava do facto de todas as mulheres perderem a cabeça com sapatos e convidou uma série de "pseudo-figuras públicas" femininas (e foleiras) para mostrarem as suas pequenas colecções. Ora eu, burra e com o discernimento meio toldado pela falta de sono, resolvi ficar a ver como é que aquele assunto podia preencher um programa. (Não me enquadrasse eu na dita classe feminina que não resiste aos ditos...) Ao fim de uns minutos o meu queixo descaía à velocidade das barbaridades que saíam daquelas cabecinhas tontas, à medida que mostravam as suas sapatolas, que ainda por cima eram feias. Mas mesmo muito feias! Todos os exemplares eram altíssimos (e, lá está, feios) e os comentários deste calibre: "... sinto-me mais segura..." "... tem que se sofrer, vale a pena!..." E a galinácea anfitriã com a baba a cair-lhe, a virar os sapatos e a espreitar para dentro deles e a exclamar que eram originais! e que deviam ter sido caríssimos! E uma a dizer que depois os oferecia à mãe (como se estivesse a falar da empregada), uma vez que muitas vezes só os calçava uma vez (hã?). E outra a gabar-se de ter modelos exclusivos porque vai a imensos eventos (ai, como eu adoro esta palavra!) e que no Inverno guarda a colecção de Verão em casa do pai, o que é uma chatice, porque quando viaja para um país tropical, lá tem que ir a casa do pai buscar aquilo de que precisa... Ó que vidas complicadas e duras! Que pobreza, que... até me faltam os adjectivos! Fiquei perplexa, a medir o meu amor pelos meus, a pensar se também seria assim... Ufa! Não sou! E vivam as sapatilhas, os sapatos rasos, o conforto e a substância! Desconhecia até que era possível desfiar tanto disparate fútil junto acerca de sapatos e do que pode impelir uma pessoa a comprá-los/usá-los/dá-los. Mas é mesmo assim, vivendo e aprendendo, e eu aprendi que é melhor não ligar a televisão à tarde, sob pena de piorar um dia que, à partida, já não se adivinha fácil por tudo o que implica... Desculpem lá o desabafo, mas estava mesmo a precisar. Ps.: volta Radar, estás perdoada!