3.12.07

To shoe or not to shoe



Por motivos alheios à minha vontade (raios partam a conjugação Inverno+Creche) tenho passado, nas últimas semanas (se calhar meses), alguns dias em casa.
Até agora desconhecia a paralisia cerebral provocada pela programação televisiva diurna (não é que a nocturna seja melhor...) mas, na semana passada, descobri um programa que me deixou em estado catatónico!
"As tardes da Júlia", é assim que se chama, é uma verdadeira aberração (que não entendo como tem tempo de antena) do princípio ao fim (quer dizer, na verdade não vi até ao fim, aquele excerto chegou-me!):
a Júlia Pinheiro, no seu inimitável estilo galináceo, falava do facto de todas as mulheres perderem a cabeça com sapatos e convidou uma série de "pseudo-figuras públicas" femininas (e foleiras) para mostrarem as suas pequenas colecções.
Ora eu, burra e com o discernimento meio toldado pela falta de sono, resolvi ficar a ver como é que aquele assunto podia preencher um programa.
(Não me enquadrasse eu na dita classe feminina que não resiste aos ditos...)
Ao fim de uns minutos o meu queixo descaía à velocidade das barbaridades que saíam daquelas cabecinhas tontas, à medida que mostravam as suas sapatolas, que ainda por cima eram feias. Mas mesmo muito feias!
Todos os exemplares eram altíssimos (e, lá está, feios) e os comentários deste calibre:
"... sinto-me mais segura..."
"... tem que se sofrer, vale a pena!..."
E a galinácea anfitriã com a baba a cair-lhe, a virar os sapatos e a espreitar para dentro deles e a exclamar que eram originais! e que deviam ter sido caríssimos!
E uma a dizer que depois os oferecia à mãe (como se estivesse a falar da empregada), uma vez que muitas vezes só os calçava uma vez (hã?).
E outra a gabar-se de ter modelos exclusivos porque vai a imensos eventos (ai, como eu adoro esta palavra!) e que no Inverno guarda a colecção de Verão em casa do pai, o que é uma chatice, porque quando viaja para um país tropical, lá tem que ir a casa do pai buscar aquilo de que precisa...
Ó que vidas complicadas e duras! Que pobreza, que... até me faltam os adjectivos!
Fiquei perplexa, a medir o meu amor pelos meus, a pensar se também seria assim...
Ufa! Não sou! E vivam as sapatilhas, os sapatos rasos, o conforto e a substância!
Desconhecia até que era possível desfiar tanto disparate fútil junto acerca de sapatos e do que pode impelir uma pessoa a comprá-los/usá-los/dá-los.
Mas é mesmo assim, vivendo e aprendendo, e eu aprendi que é melhor não ligar a televisão à tarde, sob pena de piorar um dia que, à partida, já não se adivinha fácil por tudo o que implica...
Desculpem lá o desabafo, mas estava mesmo a precisar.


Ps.: volta Radar, estás perdoada!

1 comment:

joaninha voa voa said...

2 coisas, 1 de que me lembro regularmente e outra que o teu post me fez lembrar.

1: "If I die here I was murdered by daytime television" - Sarah Kane

outra: era uma foto daquele problema dos pés da victoria beckham por andar sempre com aqueles tacões horrorosos mas poupo-te ao horror.