26.11.09

i'm there but, at the same time, i'm not


O meu dia de hoje começou com a notícia (obrigada sbs!) de que tinha saído uma foto minha na revista Visão desta semana.
Fiquei contente e a pensar que já não era a primeira vez que uma foto era publicada sem prévia autorização (ou pelo menos um aviso cortês de que iria sair) e de que isso, infelizmente, é uma prática corrente e que em vez de me aborrecer, devia encarar a coisa como um elogio e ver o lado positivo, a divulgação.
Até que folheei a revista e percebi que uma foto (que não é da minha autoria) de dois dos meus colares figurava como suporte a um artigo sobre feiras de natal que se aproximam. E, apesar de ser lisonjeador que o meu trabalho tenha sido escolhido para ilustrar esse mesmo artigo, considero deselegante e grave que tal tenha acontecido sem o meu conhecimento e prévia autorização e que não haja a mínima referência à autoria das peças em causa.
Em primeiro lugar porque detenho a propriedade intelectual sobre as mesmas, em segundo porque tenho o direito de não querer ver o meu trabalho associado a feiras de natal nas quais não vou participar (apenas poderia ser associada a uma delas em que não vou – infelizmente e por motivos pessoais – participar sequer) e, em terceiro, porque no aspecto final das minhas peças, que pelos vistos são consideradas um excelente chamariz, e por detrás dele, está muito trabalho manual e intelectual que as torna peças únicas ou de edição limitada.
Por todos estes motivos, o mínimo a fazer seria ter identificado quem as produz.

Resta-me o consolo de serem inconfundíveis (o maior elogio de todos) e, por isso, reconhecidas por todas as pessoas que já tiveram contacto com o meu trabalho, e também de a minha filha, na simplicidade dos seus 3 anos e meio, quando viu a revista ter exclamado encantada: – "olhós colares da mamã!".
Tenho dito.

*UPDATE*
Obrigada a todos os que demonstraram a sua indignação aqui e por outros meios!
Não gosto deste tipo de "lavagem de roupa suja" mas, uma vez que manifestei aqui a minha insatisfação e estupefacção, acho que é justo para quem lê o blog publicar também o desfecho da história.

Ora então aqui vai: enviei um mail à jornalista da Visão que prontamente respondeu com um pedido de desculpas, dizendo que lamentava o sucedido mas que se limitara a publicar 2 das 3 imagens que a organização da feira Ladralternativa tinha enviado – sem legendas – como press-release da feira que decorreu no fim-de-semana passado.
Apesar de achar que a revista tem alguma responsabilidade, porque descontextualizou as imagens aglomerando-as no canto superior direito da página e que devia questionar-se sobre a publicação de imagens de pormenor sem créditos, não tinha como saber que estava a fazer publicidade enganosa.
Portanto, na minha perspectiva, a maior parte da responsabilidade recai sobre quem indevidamente fez uso da imagem enviando-a no âmbito de um press-release.

Posto isto, enviei um mail para a organização da feira em questão, que sabia que eu não iria estar presente na edição do fim-de-semana passado, e que tirou a dita foto na edição de setembro (1.ª – e última – edição à qual fui) apenas para colocar no blog da feira.
Responderam-me que o envio desses kits de imagens tem como objectivo a promoção dos que colaboram no projecto, acrescentando que em 3 anos eu tinha sido a única pessoa a insurgir-se e tinham muita pena de ser mal interpretados, terminando secamente com um pedido de desculpas pelo sucedido.
Fiquei sem saber o que responder. Ou antes, sei mas percebi que só ia gastar tempo e latim:
1. Só vale a pena pedir desculpa quando se acha mesmo que se procedeu mal. A palavra desculpa não serve de nada quando dita assim, quase por favor.
2. Não sou uma prima donna afectada e caprichosa com a mania de que paira acima dos restantes mortais. Aliás, quem me conhece sabe isso perfeitamente e as questões que levantei são absolutamente legítimas.
3. Eu não pedi promoção a ninguém. De qualquer forma, é para mim uma certeza de que quando se quer promover alguém não se utiliza a imagem do seu trabalho de forma anónima e fora do contexto.
4. O que acabou por acontecer foi que a imagem de duas das minhas peças (por opção de paginação e porque pelos vistos são um óptimo chamariz) serviu de promoção a 10 feiras de natal (mais grave ainda, feiras às quais nem sequer vou!), e não à Ladralternativa.
5. E, principalmente, o facto de disparar o obturador não dá o direito de utilizar a imagem para outro fim que não o que se tinha acordado, colocar no blog documentando aquela edição da feira com os devidos créditos. As peças continuam a ser minhas e a sua imagem não passa a ser propriedade da feira e não aceito, por isso, que seja utilizada para auto-promoção nos termos em que isso aconteceu.

Tenho muita pena de perceber que os direitos de autor e de imagem são completamente ignorados pela maioria das pessoas, categoria na qual surpreendentemente esta organização se inclui.
E situações deste género amargam e amarguram, e fazem perder muito tempo que podia ter revertido a favor de alguma coisa bem mais positiva e, às vezes, dão mesmo vontade de deixar de trabalhar. É que este meio não é tão bonito como pode parecer à primeira vista: a competição é cerrada e muitas vezes desleal e coisas muito simples e bonitas transformam-se num instante num grande banho de água fria. Felizmente para mim, vou-me tornando cada vez menos sensível a diferenças bruscas de temperatura.
E agora sim, tenho dito.

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(translation available soon)

13 comments:

sonia sapinho said...

Tens toda a razão! Apoio-te totalmente e acho que no fundo só seria lisonjeador se a ti se referissem condignamente. Aliás, acho que se trata de um sério caso de publicidade enganosa. Uma vez que não estarás presente e também porque muitas dessas feiras não apresentam o tipo de qualidade te produto que o teu exemplo representa. Acho que tens direito à indiganção e também à reposição, em número seguinte da revista do devido crédito do trabalho e ainda à publicação do direito de resposta. Tens que defender o que é teu.

A mim, situações destas só me entristecem ainda mais porque são prática comum e porque os espaços de informação no nosso país estão cheios de omissões, erros e informações erradas sobre os assuntos de que falam. Há graves lacunas os processos editoriais em termos de redação, edição e revisão.

Faz-te ouvir porque se mais ouvesse quem o fizesse talvez as coisas fossem melhorando.

Viva a Alice por dar tão grande mimo à Mãe quando ela tanto precisava.

E para te animar: "There's no such thing as bad publicity!" you rock!

Wicca said...

Rita: Ainda bem que consegues encarar a situação com optimismo, mas parece-me extremamente deselegante que nem sequer atribuam um trabalho à autora...

Penso que de uma forma cheia de classe, como tens nas palavras deste post, devias escrever uma carta à revista, que até é conhecida e de algum renome (infelizmente com falhas destas: GRAVES) para que futuramente não voltem a publicar fotos de produtos registados sem o cumprimentos dos direitos de autos (ou algo assim parecido).

Tenho dito (parece que fiquei mais revoltada que tu...)

Marta Mourão said...

É muito chato, de facto.
Imagino que já tenhas escrito à Visão.

sara aires said...

Bolas, é mesmo uma falta de consideração, de profissionalismo e no mínimo uma vergonha! Sempre pensei na Visão como uma revista séria... que desilusão.

alice said...

Não tenho dúvida que tenham optado por publicar uma foto dos teus colares precisamente porque nas feiras de Natal não há assim grande qualidade, e precisavam de uma foto de um bom produto para "enganar".
Outra questão é, se a foto não é tua (a dos colares), quem a tirou?
E acho uma grande lata não colocarem o nome da autora junto às peças. Qualquer leitor que goste da imagem vai querer saber quem é, e assim parece uma imagem retirada de um arquivo para encher páginas.

Queixa-te.

SZ said...

rita,

devias pedir uma rectificacao.

jinhos

A. said...

compreendo-te perfeitamente, pois aconteceu-me o mesmo com os colares de Malha&Dedais há uns tempos. e tb na Visão.

CLARO que vi que eram logo teus colres, mas o problema é quem não sabe.... e fica de certeza maluco por saber quem faz e quer comprar!

bjs!! bom trabalho

joana said...

manda pelo menos um emailzinho prá visão.

Cristina said...

Vaya! A mi me ha pasado algo parecido hace poco, y la verdad, no sabes como reaccionar....Son sentimientos encontrados, por un lado te alegras de que tu trabajo aparezca en una revista, pero por otro lado dices..... ES MI TRABAJO y nadie me pidio permiso para publicarlo!
Internet es un peligro, y es una pena que esto se convierta en una practica habitual. Como consejo, siempre que publiques una foto en internet pon tu nombre. Se que no es bonito, que ensucia la foto, pero por experiencia personal, es la unica manera de poder decir que el trabajo es tuyo....

un saludo, Cristina (Spain)

vera said...

compreendo o que sentes ...
sabes que publicaram uma foto minha das trouxas a que eu chamo furoshiki a africana para a campanha de um partido politico brasileiro cujo cabeca de lista e um brasileiro de origens japonesas ... puseram o link e a autoria da foto mas nao me avisaram nem pediram autorizacao ... descobri atraves do copyscape ...
quando os contactei pediram desculpa, fizeram-me tantos elogios (com papas e bolos se enganam os tolos ...) e tudo ficou assim, em aguas de bacalhau ...tudo isto porque de facto a foto esta linkada e referenciada ...

sonia sapinho said...

UPDATE: imagina o som dos meus aplausos!

Raquel said...

É muito triste que situações destas aconteçam, mas infelizmente acho que é um pouco o reflexo da crise de valores que a nossa sociedade atravessa :((
Mas tu estiveste muito bem, e é mesmo de aplaudir a forma serena e educada com que lidaste com a situação.
Beijinhos

rita said...

muito obrigada a todas pelo apoio moral e pelo apreço que demonstraram por mim e pelo meu trabalho! :-)