11.3.10

4!




O clássico "mas como é que isto passou tão depressa" cruza-me muitas vezes o pensamento e agora, mais do que nunca, começo a entender a minha mãe quando diz que tem saudades de quando éramos mais pequenas.
Passaram 4 anos desde que peguei pela primeira vez na minha filha, foi nesse preciso momento que me tornei mãe. Foram uns escassos segundos antes de a levarem e de passar 6 dias longe de mim na UCIN (Unidade de Cuidados Intensivos Neo-Natais) – primeiro numa incubadora, depois nos ultra-violeta e, finalmente, no meu colo no tempo que me era permitido – mas os suficientes para se ter tornado única e inconfundível.
Foi, simultanemamente, o dia mais feliz e um dos mais negros da minha vida: teve pressa e nasceu de repente às 35 semanas e 2 dias, com 2,590 kg e 49 cm ainda com os pulmões imaturos e a precisar de ajuda para respirar. Acho que só quem passou por uma experiência semelhante consegue avaliar a violência de ficar sem o bébé logo após o nascimento. Chorei baixinho a noite inteira enquanto (ou)via todas as outras mães a acarinhar as suas crias e eu não tinha a minha. Chorei pela minha impotência, porque não podia estar ao pé dela, porque não sabia se ainda estava viva.
Passaram 4 anos desde que depois, já em casa, a vi crescer a meu colo. Primeiro tão pequenina, depois, do tamanho da almofada em cima da qual lhe dava de mamar de 3 em 3 horas. Vi nascerem-lhe as pestanas e as sobrancelhas, os olhos a tornarem-se azuis, o primeiro sorriso às 3 semanas (documentado por puro acaso em fotografia!) e começar a encher a roupa até, passado 1 mês, dia glorioso esse, o pediatra me dizer para me esquecer de que ela tinha nascido prematura.
Passaram 4 anos e tornou-se na menina mais linda, meiga, sensível, alegre e inteligente, com um genial sentido de humor e uma imaginação delirante que nos arranca frequentemente gargalhadas sonoras. Criou recentemente duas personagens, o chefe antunes (pai) ou a chefe antonieta (eu), que decidem diariamente as ementas cá de casa, e não imaginam a graça que tem quando, tão pequena, se refere a um deles.
Aprecia os mais variados alimentos (incluindo grelos, alho, beringela e bróculos!) como nunca pensei que fosse possível numa criança e planeou a festa de anos, incluindo a ementa, na qual reinaram o chocolate, a mais recente e preferida descoberta do reino do açúcar, e a torta com recheio de marmelada que a minha avó Luísa fazia sempre nos aniversários, tradição agora cumprida pela minha mãe.
É muito feminina e maternal, derretendo-se com qualquer bébé que avista, e aposto que o desejo que pediu antes de soprar as velas foi o de ter um irmão, vontade que verbaliza há muito tempo diariamente, criando cenários e soluções e planeando, quase ao pormenor, como irá ser um dia.
Quem me dera que fosse simples fazer-lhe a vontade.


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(English translation will be available soon)

12 comments:

Inês said...

que lindo! parabéns.

Z said...

:)
Deve ter sido muito difícil, but look how great a job you did:D
parabens!

Virgínia said...

Querida Rita, também eu senti essa separação logo ao nascer, eu nem sequer o vi nascer.. e sim, só quem passa por essa violência percebe a sua magnitude. Mas a natureza humana é maravilhosa e tudo se desenvolve naturalmente.

E a vida é simples, nós é que a questionamos demasiado.

Que filha linda tens tu aí!

:)

Andreiinha said...

Eu fiz recentemente 26 anos e a minha mãe falou acerca de "como é que é possível já terem passados todos este anos!" Ela nao deu por nada... nem eu! Prepara-te! Acho que este sentimento te irá acompanhar para sempre! (digo eu...) Beijos * Parabéns *

sonia sapinho said...

Quem me dera, também!

Bárbara said...

Olá Rita, há algum tempo que sigo o teu blog e o teu trabalho:)

Hoje não podia mesmo deixar de comentar.

Tenho 2 filhos , a mais nova com 2 aninhos, que nasceu de 35 semanas, com 2290 kg, e 46,5cm. Não precisou de incubadora, felizmente, apesar de ter tido todas as outras dificuldades de ser-se prematuro. No entanto, eu tive uma hemorragia interna e tive mesmo de ir ao bloco depois do parto. Passei dias (semanas) muito dificeis, e fiquei com algumas sequelas (entre as quais não poder ter mais filhos, a pesar de ta,bém não querer).

Sei como é dificil, apesar de não ter passado pela incubadora, que imagino, seja mesmo terrivel.

Parabéns a ti e a tua menina, que bem merecem as duas!

Bárbara

doceSal said...

Que lindo, Parabéns Rita! ...emocionei-me com as tuas palavras.
É maravilhoso ser Mãe.

Não resisti, e desta estou a comentar.
Já algum tempo que venho espreitando o teu blog
e é fascinante o teu trabalho.

Mais uma vez Parabéns!

. xana .

By Deva said...

Ela é simplesmente, linda!
Parabéns pelo post, gostei muito :)

Inês Rosa said...

Olá, Rita :)
Que linda, a tua filha!
Eu nunca passei por essa experiência, pois nem sequer tenho filhos (ainda não superei aqueles medos todos e as perguntas, enfim...). Apesar disso, passei pelo medo contrário, embora fosse muito pequena (e se me lembro!): o medo de ficar sem a minha mãe, após o nascimento da minha irmã. Tinha quatro anos e meio e lembro-me de pensar que era demasiado pequena para ajudar o meu pai, se a minha mãe faltasse.
Felizmente, correu tudo bem, com as duas, e hoje sou uma irmã-galinha :)

SZ said...
This comment has been removed by the author.
●●● said...

ao passear pela net {via mamanxuxudidi} descobri este blogue ... OUAH !!!!! hei-de cá voltar ... de certeza ***

190.arch said...

Beautiful and very touching post : )
I became a mom in a difficult situation as well, I know how it feels.
Congratulations to your beautiful daughter in her 5th birthday. I got this post from the other one. Have fun together!!